São Bernardo completa hoje 465 anos. A cidade, que já foi exemplo de desenvolvimento e trabalho, vive atualmente um das mais complicadas situações de sua existência. Insegurança, caos no trânsito, falta de médicos, inversão de prioridades por parte de investimentos do governo, problemas na zeladoria e casos de corrupção são algumas das questões que lamentavelmente fazem parte do dia a dia do cidadão.

A São Bernardo que todos queremos, infelizmente, está longe de ser aquela que aparece nos caros comerciais veiculados na Rede Globo em horário nobre. É totalmente diferente àquela estampada nas páginas de jornais regionais, os quais são uma extensão do setor de Comunicação da Prefeitura por receber altas verbas do Paço e, exatamente por este motivo, não divulgam os problemas relacionados ao município.

No início de maio deste ano, a Prefeitura foi alvo de operação da Polícia Federal, denominada Prato Feito, cujo objetivo é combater fraudes em licitações e desarticular quadrilhas suspeitas de desviar recursos recebidos do governo federal para utilização na merenda escolar. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no prédio do Poder Executivo comandado por Orlando Morando. O relatório da Polícia Federal cita Carlos Roberto Maciel, então secretário de Coordenadoria de Assuntos Governamentais.

Antes disso, no fim de outubro do ano passado, a Prefeitura foi alvo da Operação Barbatanas, responsável por investigar a cobrança de propina para anular multas e conceder licença ambiental. Com prisão decretada, Mario Henrique de Abreu, então secretário de Gestão Ambiental de Orlando Morando, réu acusado de integrar a suposta organização criminosa, é considerado foragido.

Recentemente, o governo de São Bernardo voltou às páginas policiais. Desta vez, com o vice-prefeito Marcelo Lima, nome apoiado pelo prefeito Orlando Morando para a disputa de uma vaga à Câmara Federal na eleição deste ano. Lima tentou comprar o apoio político de uma assessora do deputado federal Alex Manente, candidato à reeleição e adversário de Lima em outubro. O vice-prefeito entregou R$ 30 mil em espécie à assessora, que reuniu provas e as entregou à polícia.

Sem contar o episódio, no mínimo estranho, envolvendo o petista Luiz Marinho e o tucano Orlando Morando. Em um dos últimos atos da administração do PT na cidade, a Ponto Bom Participações, empresa pertencente a Morando, recebeu R$ 1 milhão pela desapropriação de terreno de 531 metros quadrados em área onde são realizadas obras viárias. O repasse ocorreu quatro dias antes de o tucano tomar posse como prefeito. O valor estipulado pela Prefeitura para indenizar a proprietária de terreno de dimensões parecidas no mesmo local em 2015 foi de R$ 269 mil. O caso está sob investigação.

Em um momento em que a luta contra a corrupção é a principal reivindicação da população em todo o País – uma vez que o dinheiro a ser empregado na Saúde, na Educação, na Habitação, na Segurança e em melhorias à cidade acaba sendo desviado para o bolso de corruptos –, o governo de São Bernardo, eleito sob o prisma da esperança, mostra exatamente o contrário. Sem contar as promessas feitas durante o processo eleitoral que, assim como a eleição a prefeito, ficaram no passado e não foram cumpridas.

A nossa pergunta é: há algo a comemorar no atual momento em São Bernardo? É essa a cidade que queremos?